O que é Certidão de Matrícula de Imóvel e Como Obtê-la
A certidão de matrícula é o documento mais importante de qualquer transação imobiliária. Entenda o que ela mostra, qual a validade e como emitir sem ir ao cartório.
Antes de assinar qualquer contrato de compra e venda, o primeiro documento que qualquer advogado imobiliário vai pedir é a certidão de matrícula do imóvel. Antes de aprovar qualquer financiamento, o banco também vai exigir. É o documento que comprova que o imóvel existe juridicamente, que o vendedor é de fato o dono e que não há nenhum problema que impeça a transferência.
Entender o que está nessa certidão, e o que significa quando algo aparece ali, é parte do trabalho de qualquer corretor de imóveis.
O que é a matrícula de um imóvel
Todo imóvel urbano no Brasil tem um número de matrícula registrado no Cartório de Registro de Imóveis da região onde o imóvel está localizado. A matrícula é o “documento de identidade” do imóvel: um registro único que existe desde que o imóvel foi formalmente incorporado ao sistema de registro de imóveis.
A matrícula registra toda a vida jurídica do imóvel: quem construiu ou loteou, todas as transferências de propriedade que aconteceram desde então, qualquer gravame que tenha sido registrado (hipoteca, penhora, alienação fiduciária, usufruto) e qualquer ação judicial que afete o imóvel.
Cada imóvel tem uma única matrícula, e essa matrícula não muda quando o imóvel é vendido. O que muda é o histórico registrado dentro dela.
O que a certidão de matrícula contém
A certidão de matrícula é uma cópia autenticada do teor da matrícula do imóvel. Ela mostra:
Identificação do imóvel. Endereço, área total, descrição dos confrontantes (os vizinhos ou limites do terreno), número da matrícula e o cartório responsável pelo registro.
Histórico de proprietários. Quem foram todos os donos do imóvel desde o registro da matrícula até hoje, com as respectivas datas de transferência e o instrumento que formalizou cada transferência (escritura, formal de partilha, decisão judicial).
Proprietário atual. O nome registrado como dono neste momento, com CPF/CNPJ, estado civil e fração ideal no caso de copropriedade.
Ônus e gravames. Qualquer restrição ou encargo registrado sobre o imóvel: hipoteca convencional (quando o imóvel foi dado em garantia de um empréstimo), alienação fiduciária (o modelo mais comum nos financiamentos imobiliários atuais), penhora (por dívida judicial), usufruto (direito de uso e gozo do imóvel por terceiro), cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade ou incomunicabilidade (que limitam a transferência do imóvel).
Averbações. Anotações que atualizam informações registradas: demolição ou construção de benfeitorias, mudança de estado civil do proprietário, alteração de área por georreferenciamento, cancelamento de ônus quitado.
Certidão de matrícula e certidão de ônus reais: qual a diferença
São dois documentos distintos emitidos pelo mesmo cartório e frequentemente solicitados juntos.
A certidão de matrícula traz o histórico completo do imóvel: todas as averbações, todas as transferências, todos os ônus registrados ao longo do tempo. É o documento mais abrangente.
A certidão de ônus reais foca exclusivamente nos gravames e encargos ativos sobre o imóvel no momento da emissão: hipotecas, penhoras, alienações fiduciárias, usufrutos em vigor. Não inclui o histórico completo de proprietários nem averbações gerais.
Para uma transação imobiliária segura, o advogado normalmente solicita os dois, porque a matrícula mostra o histórico completo e os ônus reais confirmam o que está ativo no momento.
O que verificar na certidão de matrícula
Ao receber a certidão de matrícula de um imóvel, os pontos que merecem atenção especial são:
Titularidade compatível com quem está vendendo. O nome do vendedor precisa constar como proprietário atual na matrícula. Se o imóvel está no nome de uma pessoa diferente, a transferência exige etapas adicionais antes da venda (inventário, doação, regularização de escritura).
Estado civil e regime de bens. Imóvel registrado em nome de pessoa casada pode exigir a assinatura do cônjuge para a transferência, dependendo do regime de bens. A data de casamento versus a data de aquisição do imóvel determina se o cônjuge tem direito sobre o imóvel.
Ônus ativos. Alienação fiduciária registrada significa que o imóvel está financiado e parte do valor de venda precisa ser destinada à quitação do financiamento antes ou no momento da transferência. Hipoteca registrada tem implicação similar. Penhora judicial pode impedir a transferência até a decisão do processo.
Ação judicial vinculada. Algumas ações judiciais são averbadas diretamente na matrícula, especialmente ações que envolvem o imóvel como objeto de litígio ou a situação patrimonial do vendedor. A presença dessas anotações requer análise jurídica antes de avançar com a compra.
Área registrada versus área real. A área descrita na matrícula precisa ser compatível com a área efetivamente ocupada e com o que está sendo vendido. Diferenças relevantes entre a área registrada e a área real podem indicar irregularidades na construção ou ampliações não averbadas.
Qual a validade da certidão de matrícula
A certidão de matrícula não tem prazo de validade legal definido, mas na prática ela é aceita com no máximo 30 dias de emissão na maioria das transações imobiliárias e financiamentos. Alguns bancos e cartórios aceitam até 60 dias, mas é mais seguro emitir próximo à data de assinatura.
O critério prático é que a certidão precisa ser recente o suficiente para que qualquer alteração relevante (novo ônus registrado, nova penhora, mudança de estado civil averbada) apareça no documento. Uma certidão de seis meses pode não refletir algo que foi registrado na semana anterior.
Como obter a certidão de matrícula
Diretamente no cartório
O proprietário ou qualquer interessado pode solicitar a certidão no Cartório de Registro de Imóveis onde o imóvel está registrado. A emissão exige o número da matrícula ou o endereço do imóvel. O prazo de emissão varia de horas a dias dependendo do cartório e da demanda.
Online via sistemas de cartório
Vários estados têm sistemas online que permitem solicitar certidões de imóveis sem presença física. Em São Paulo, o sistema e-Cartório permite a emissão de certidões com validade jurídica pela internet. O Rio de Janeiro tem sistema similar. A disponibilidade varia por estado e por cartório específico.
Via sistemas integrados
Plataformas como o Garagem permitem solicitar a certidão de matrícula junto com outros documentos da transação de forma centralizada, sem precisar acessar o site de cada cartório individualmente. A solicitação é feita dentro da própria plataforma, com acompanhamento em tempo real da emissão.
O que fazer quando aparece um problema na matrícula
A certidão não é um sinal verde automático: ela é uma radiografia da situação jurídica do imóvel. Quando algo aparece ali, o próximo passo é entender a gravidade antes de decidir se o negócio avança.
Ônus quitado que não foi cancelado na matrícula: o vendedor precisa providenciar o cancelamento junto ao banco ou credor que registrou o gravame. Não é necessariamente um impedimento para a venda, mas precisa ser resolvido antes da transferência ou em paralelo.
Alienação fiduciária ativa: precisa ser quitada antes ou no ato da transferência. O vendedor pede o saldo devedor ao banco, e na assinatura parte do valor da compra vai diretamente para quitar o financiamento, com o banco liberando o imóvel para transferência.
Penhora judicial: é o cenário mais complexo. Dependendo do estágio do processo que originou a penhora, a venda pode ser possível com autorização judicial ou pode estar impedida. É necessário consulta jurídica específica.
Perguntas frequentes
O comprador pode verificar a matrícula antes de fechar negócio? Sim. A certidão de matrícula é um documento público que pode ser solicitado por qualquer pessoa que tenha o número da matrícula ou o endereço do imóvel. O comprador não precisa ser proprietário nem ter autorização do vendedor para solicitar a certidão.
Apartamento em condomínio tem matrícula própria ou só o terreno? Cada unidade autônoma de um condomínio (apartamento, sala comercial, vaga de garagem vinculada) tem sua própria matrícula, separada da matrícula do terreno e das partes comuns. A certidão de matrícula do apartamento mostra a situação jurídica daquela unidade específica.
Imóvel sem matrícula pode ser vendido? É possível negociar a posse de um imóvel sem matrícula, mas a transferência formal de propriedade exige registro em cartório. Imóvel sem matrícula ou com documentação irregular não pode ter escritura de compra e venda lavrada normalmente nem financiamento bancário aprovado. A regularização da matrícula precisa acontecer antes de qualquer transação formal.
O que é matrícula-mãe? A matrícula-mãe é a matrícula original de um terreno maior que foi desmembrado ou loteado. Quando um terreno é dividido em lotes, cada lote ganha uma nova matrícula derivada da matrícula original. A matrícula-mãe pode ser solicitada quando há interesse no histórico completo do terreno original, antes do desmembramento.
O Garagem emite certidões de matrícula e os demais documentos da transação imobiliária de forma centralizada, sem precisar acessar cada cartório individualmente. Acesse o Guia Garagem ou garagem.ai/solucoes/certidoes para saber mais.
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